domingo, 28 de outubro de 2012

A TRAGÉDIA DO "JAKOB MAERSK", EM LEIXÕES!

Uma das âncoras que foi preservada para memória do
acidente e que pertencia ao petroleiro sinistrado.

A placa comemorativa da tragédia com inscrições em
inglês e português.

* O "JAKOB MAERSK" foi um petroleiro dinamarquês que chocou com um banco de areia no dia 29 de Janeiro de 1975, quando manobrava para entrar no porto de Leixões, causando uma catástrofe ambiental. A embarcação havia sido construida no ano de 1966 e pertencia à Companhia de Navegação Maerksline. O seu comprimento total era de 261,81 metros e a tripulação compunha-se por trinta e duas pessoas. 
* Nessa altura o petroleiro transportava oitenta e oito mil toneladas de petróleo bruto que iria descarregar no terminal petrolífero do porto de Leixões, na freguesia de Leça da Palmeira e concelho de Matosinhos. Quando procedia às necessárias manobras embateu num banco de areia, o que causou de imediato uma enorme explosão e o subsequente incêndio que durou alguns dias. A explosão rompeu o navio para além de causar o derramento do petróleo bruto para a água. Do sinistro veio a  resultar a morte de seis dos seus tripulantes.
* A contenção do derramento de óleo começou com a colocação de uma barra flutuante na entrada do porto. Uma barreira de palha foi colocada ao redor do naufrágio para, de uma forma breve, conter o derramento enquanto os rebocadores da APDL (Administração dos Portos do Douro e Leixões) e outros barcos da Marinha espalhavam dispersantes.
* Logicamente que as praias locais foram amplamente afetadas. Estima-se que quinze mil toneladas de petróleo foram arrastadas até trinta e dois quilómetros do litoral, tendo sido encontrados vestígios de hidrocarbonetos em praias a cinquenta quilómetros do local do acidente. A praia mais afetada foi a orla imediatamente adjacente à destruição, onde a limpeza começou com a remoção da camada superior da areia e a aplicação de dispersantes. Entretanto, e também por força das marés, o navio veio a partir-se em dois, afundando-se a parte da popa, sendo a proa arrastada até aos rochedos junto ao Forte de São João Batista (o Castelo do Queijo), onde se manteve por cerca de três anos a apodrecer.
* Os danos ecológicos pareciam estar limitados. Apenas meia dúzia de aves cobertas de óleo foram descobertas durante a primeira semana nas praias mais próximas. Falta dizer que a embarcação ardeu por mais de dois dias. Não houve aparentemente qualquer efeito prejudicial sobre os peixes locais, embora uma diferença temporária fosse notada no paladar. Algas e moluscos mortos foram encontrados, tendo porém, o crescimento sido retomado logo em seguida, voltando as populações aos níveis normais.
* O custo da catástrofe foi estimado em 2,8 milhões de dólares pela comunidade internacional, Organização para a Cooperação Económica e Desenvolvimento (OCDE).
* Terá sido este o último grande acidente marítimo ocorrido junto ao litoral com petroleiros que demandam o porto de Leixões. 

Write in Gondomar (Oporto), Portugal
by "texasselvagem"
October.2012. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

SILVA - APELIDO!


(Brasão de armas da família "Silva")


* O apelido "Silva" é talvez o mais difundido sobrenome de família português. Sua origem é claramente toponímica, tendo derivado diretamente da palavra latina silva que significa selva, floresta ou bosque e tendo o seu início na Torre e Honra de Silva junto a Valença.
* Com efeito, em Portugal, na Galiza, Leão e Astúrias existem diversas localidades cujos nomes se compoem por "Silva". Aceita-se, porém, verificar que a popularidade deste apelido remonta ao século XVII, tanto em Portugal como no Brasil.
* A primeira linhagem que adotou este apelido tem uma origem muito antiga e provem do príncipe dos Godos, Dom Alderedo, cujo filho,  Dom Guterre Alderete da Silva se casou com uma descendente da nobreza da Casa Real de Aragão, sendo anterior à fundação da nacionalidade portuguesa, no final do século X.
* Nome largamente utilizado por pessoas que chegadas ao Brasil queriam começar uma nova vida sem quaisquer vínculos com o passado na Europa, aproveitando-se do relativo anonimato que o sobrenome proporcionava. Mas, também no Brasil, um atual ramo da família Silva em sua quinta geração, é descendente dos reis de Leão e são mestiços (importante família aristocrática brasileira nos Amazonas), tendo os varões da segunda geração herdado durante o Brasil Imperial, o baronato de Amazonas.
* Ainda assim e, apesar da grande difusão na população lusófona em geral, SILVA também é o nome de importantes famílias nobres, que normalmente o usavam em conjunto com outro apelido (por exemplo, Teixeira da Silva).
* Também é encontrado em Espanha (aqui com origens mais remotas do Reino de Leão) e na Itália, onde é comum na região da Emília-Romagna e da Lombardia.
É deveras provável que o conjunto de nome e apelido mais comum nos paises lusófonos seja JOÃO DA SILVA, podendo-se comparar a JOHN SMITH nos paises de língua inglesa; JUAN GARCIA nos de língua espanhola, HANS SCHMIDT nos de língua alemã e, por fim, GIOVANNI ROSSI nos de língua italiana.
* Um estudo realizado numa amostragem de trinta mil e quatrocentas (30400) pessoas no Brasil, mostra que cerca de 10% (mais exatamente 9,9%) dos brasileiros contemplam "Silva" em seu apelido, seguido por 6,1% com sobrenome "Santos", 5,8% com o apelido "Oliveira" e 4,9% com o sobrenome "Sousa" ou "Souza" (mais arcaico).
* Os "Silvas" vão buscar as suas armas de brasão à casa dos reis de Leão e são compostas por um fundo de prata onde sobressai um leão de púrpura que se encontra armado e lampassado de vermelho ou azul. Como timbre, tem o referido leão do escudo.