domingo, 12 de agosto de 2012

A VOSSA (MINHA) ALDEIA!

* O autor é natural da freguesia do Bonfim, concelho do Porto, daí se tornar necessário recuar aos seus avoengos, para se chegar ao tema desta crónica.
* Com efeito, a avó materna, de sua graça MARIA VICTÓRIA DA SILVA (grafia da época), nasceu na aldeia da Cortiçada, freguesia de Castelões, concelho de Tondela, no (ainda) distrito de Viseu; a qual, embora tenha desencarnado no estado civil de "solteira", teve dois filhos varões: JOAQUIM MARIA DA SILVA (o meu progenitor) e JOSÉ JOAQUIM DA SILVA (logicamente meu tio), ambos já falecidos. 
* Para o assunto em causa, apenas interessa o meu pai. Devido a alguma cabulice e outras situações escolares menos apropriadas, ele foi castigado de forma a concluir o ensino básico (na época a quarta classe) na extinta escola primária (posteriormente EB1) da Cortiçada, onde a saudosa professora Dona Mécia (também já fora da lista dos vivos) tudo fazia para que não houvesse meninos mal comportados - estes podiam ser mais ou menos espertos - e rezingões.
Pois aí temos..."Serviço de Incêndios da...
Cortiçada"

Camioneta da marca "Bedford" com o "pirilampo"
côr de laranja. 

Como se pode constatar pela matrícula, terá cerca de
quarenta anos e não acredito que dê mais de 50
quilómetros/hora.
Outro pormenor interessante e que comprova a sua
antiguidade é o fato de se o motor não pegar, haver
uma manivela para esse fim.
* Diretamente o autor do blogue nada terá a haver com a aldeia, embora ainda possua lá algumas propriedades rústicas e familiares em quarto ou quinto grau. Certo é que ele foi habituado a conviver com algumas peripécias agrícolas, tomando conhecimento com os usos e costumes rurais, visto que por lá passava, com os seus progenitores, as férias de Verão, numa casa construida de raiz pelo seu pai, em terreno que lhe adveio após as devidas partilhas, que depois veio a ser alienada, devido à impossibilidade da sua manutenção.
* No ano de 1515 el-Rei Dom Manuel I deu o nome de "CORTIZADA" a uma vila  que tinha seis habitantes. Com a evolução da língua passou a escrever-se "Cortyçada", sendo que o nome definitivo ficou "Cortiçada".
* Na "CORTIZADA" havia muitos cortiços de abelhas que eram pertença da Família Real, crendo-se que daqui derivará a sua etimologia.
* A "CORTIÇADA" é uma aldeia bastante pequena que como já se disse, pertence à freguesia de Castelões, concelho de Tondela, distrito de Viseu e região da Beira Alta. A aldeia fica a cerca de oito (8) quilómetros da sede do concelho. O meio é predominantemente rural, sendo a agricultura, a criação de gado e o pequeno comércio, as principais atividades da população. Como qualquer outra pequena aldeia do interior, ela é, também, vítima da emigração.
* Nos nossos dias terá cerca de cento e vinte (120) fogos e quatrocentos (400) habitantes em permanência, a maioria já com idade superior aos sessenta anos.
* O lugar, propriamente dito, da Cortiçada é composto por minúsculos aglomerados, como a "Corga Amarela", a "Lomba" (parte central e onde se localiza a capela, cujo orago, é a "Senhora da Saude"), as "Corgas", a "Questeja", o "Lugar", o "Cabeço", o "Lameiro" e a "Ramila". Ora, era precisamente no Lameiro que se situava a escola primária da aldeia, que quando foi extinta, era frequentada por oito alunos de todas as classes.
* O edifício atualmente é a sede do "Clube de Caça e Pesca da Alagoa".
* Como infraestruturas possui distribuição postal ao domicílio, abastecimento de água, de eletricidade, o "Clube Desportivo Piedadense", um serviço de táxi e...pasme-se um "serviço de incêndios", embora sem quartel nem bombeiros, cuja viatura com cerca de quarenta anos fica aparcada no largo público.
* Chegou a possuir uma fábrica e armazém de refrigerantes, que se denominava por "Refrigerantes Besteiros" do saudoso José Viegas Fernandes, encerrada há vários anos, mas cujo edifício ainda resiste, muito embora sem qualquer menção.
* É servida pela transportadora "Transdev" que liga a aldeia às freguesias vizinhas, à sede do concelho e distrito. A sede do concelho chegou a ser servida pela linha ferroviária do Dão, cuja circulação foi definitivamente extinta nos anos oitenta do século passado. 

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