terça-feira, 1 de março de 2011

LICEU ALEXANDRE HERCULANO







* Considerando que já passei pela mudança de um século, por uma revolução e que cheguei onde nunca pensei em chegar e que desisti de enfrentar mais "toiros camuflados"; vou compartilhar convosco um pouco da minha adolescência, para que, pelo menos, os amigos, a família, os colegas possam ficar a saber de como ela foi e que nada teve de diferente da generalidade.
* Peço que não considerem isto como uma despedida, mas antes como um adeus até ao meu regresso... 
* Passada toda esta retórica, vamos à minha vida estudantil. Fiz o ensino preparatório, geral e complementar (eram estas as verdadeiras designações à época) e frequência do 12º. ano no LICEV (é assim que está escrito na sua fachada) ALEXANDRE HERCULANO, que se pode considerar um ex-libris da cidade do Porto, como edifício arquitetural.
* Assim, nos inícios do século XX, o aumento da população escolar exige que se aumentem as zonas escolares (ao invés do que acontece atualmente) para o secundário e também o número de liceus em funcionamento. Eram as exigências do tempo a requerer a modernização imediata das estruturas e do sistema de ensino.
* A cidade do Porto foi dividida em duas zonas escolares - Oriental e Ocidental. Cada zona tinha vários liceus, cordenados por um liceu central.
* Em 26 de Setembro de 1908, o Liceu Central da Zona Oriental passou-se a designar LICEU CENTRAL ALEXANDRE HERCULANO, tendo sido batizado com o nome de um dos mais ilustres portuenses no campo das letras na sua época. Mas o edifício não fazia merecimento ao seu patrono: segundo os comentários e opiniões da época, era um verdadeiro pardieiro bafiento e velho na Rua do Sol (freguesia da Sé).
* Nesta altura já se tornava necessário dar novas instalações ao liceu, que passou, temporariamente, para um edifício alugado na Rua de Santo Ildefonso. Após muitas críticas (na altura as críticas tinham algum poder) no Parlamento relacionadas com o tipo de edifício que acolhia este liceu em particular, o Estado (abençoado naquela altura, onde os cofres do Banco de Portugal estavam cheios de ouro) decidiu construir um edifício de raiz para o acolher, um prédio novo, à altura da importância do estabelecimento e da cidade. Foi escolhido para o efeito um dos talhões em que a Avenida de Camilo dividiu a antiga Quinta de Sacais,recentemente urbanizada (freguesia do Bonfim). Em 31 de Janeiro de 1916, o Presidente da República,  Sua Excelência, Bernardino Machado, presidiu ao lançamento da primeira pedra, que teria  traço do conceituado Arquiteto Marques da Silva.
* O novo liceu abriu as portas no ano letivo de 1921/22. Compreendia 28 (vinte e oito) salas, laboratórios, salas para Física e Química, Ciências, Geografia, Desenho e Música; uma biblioteca, um anfiteatro, cinco pátios de recreio, um pátio de desporto, três ginásios, piscina, refeitório, entre outras valências. Claro que, atualmente, já muitas delas desapareceram ou foram reformadas.
* Hoje, é um dos estabelecimentos de ensino secundário mais conceituados da Cidade Invita e um dos mais bonitos sob o ponto de vista arquitetónico, tendo formado ou ajudado a formar milhares de alunos ao longo da sua história de  mais de cinquenta anos.
* Eu prezo-me de ter sido moldado nesse edifício, que à data eram geridos por reitores.
* Um preito de homenagem ao reitor do meu tempo, ilustre Doutor Martinho Vaz Pires.


Texto: adaptação da Internet livre,
Parênteses: minha autoria.

Escrito em Gondomar,por texasselvagem.    

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